As gaivotas nasceram com os olhos voltados para o horizonte. Sobrevivem onde o céu se inclina sobre o mar, nesse entre onde nada é fixo, tudo é movimento.
São aves de travessia — não pertencem à terra firme, nem mergulham profundamente como os peixes.
Pairam | Tocam a superfície com suavidade | Observam
Voam com leveza ancestral, como se conhecessem bem o ritmo das marés e a linguagem dos ventos.
O voo da gaivota não é de urgência : é de escuta. Elas planam, cortam o ar com silêncio e precisão, aproveitam as correntes como quem dança com o (in)visível.
Não lutam contra o mundo: atravessam com o mundo.
Vivem em bando, mas sabem se afastar quando é preciso. Descem para pescar, pousam em rochas, acompanham barcos — mas sempre voltam ao céu.
E ali, em pleno voo, parecem (re)escrever uma cartografia própria do tempo e do espaço.
A gaivota não teme o abismo: ela o sobrevoa.
Como quem sabe que a vida é feita de ondas, e que voar não é fugir, mas aprender a pairar sobre o (im)previsível.
© 2025 por Natália Alves dos Santos - Criado com wix.com

CRP 12/19085